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Diretores do Facebook e do WhatsApp pedem demissão

O Facebook acaba de perder seu executivo de produto mais importante. A saída dele marca o fim de uma era para o feed de notícias, o produto mais emblemático da rede social — e muitas vezes o mais tormentoso.
Chris Cox, diretor de produto do Facebook, trabalhou na rede social por 13 anos. Ele ajudou a inventar e a desenvolver o feed de notícias, principal canal de atualizações personalizadas da vida de mais de 2 bilhões de pessoas — em essência, era o editor-chefe, baseado em algoritmos da vida digital dos usuários.
Talvez não seja coincidência que a saída de Cox ocorra poucos dias depois de o CEO Mark Zuckerberg proclamar que o futuro do Facebook será voltado para algo completamente diferente: mensagens privadas, criptografadas, e conversas de grupos menores. Não à toa, também pediu demissão do Facebook Chris Daniels, que era responsável pelo WhatsApp.
Cox escreveu um post sobre sua saída em que deixou implícitas as discordâncias com Zuckerberg sobre os rumos do Face. "Como Mark delineou, estamos virando uma nova página em termos de direcionamento de produtos", afirmou Cox. "Isso vai ser um grande projeto, e precisaremos de líderes que estejam entusiasmados com a  implementação da nova diretriz".
O feed de notícias tem sido a faceta mais importante do modelo de negócio do Facebook porque a empresa é capaz de encaixar anúncios entre as postagens pessoais. Mas também está no centro das controvérsias da empresa, inclusive a disseminação de informações falsas, porque oferece a cada um que o utiliza um retrato diferente da realidade. O histórico de desastrosos escândalos de privacidade do Facebook começou a partir do lançamento do feed de notícias, em 2006. Os usuários ficaram a princípio indignados ao verem suas postagens e fotos inesperadamente espalhadas em um fórum aberto e não apenas em suas páginas pessoais. Mesmo assim, eles se viciaram rapidamente.
Agora, o crescimento e o engajamento dos usuários estão perdendo força nos mercados de anúncios mais importantes da empresa. O fenômeno ainda não prejudicou a receita, mas o Facebook sinalizou que a desaceleração continuará e que a empresa terá que investir mais para desenvolver novos negócios. Em meio a essa transição, o Facebook planeja deixar de revelar aos investidores os números separados de usuários de sua principal plataforma de rede social, optando por divulgar um número agregado de usuários do Facebook e dos aplicativos WhatsApp, Instagram e Messenger. A conclusão de todas estas mudanças: o feed de notícias passou a ser um produto antiquado.
O futuro dos negócios do Facebook será mais dependente das postagens efêmeras, como as do Instagram Stories, disse Zuckerberg. Essa mudança também exigirá que o Facebook invista mais em seus produtos de mensagens, focando em criptografia -- conversas tão privadas que nem o Facebook consegue ver o que as pessoas estão escrevendo.
Este é um universo de redes sociais muito diferente daquele que Cox ajudou a criar. Ainda em sua postagem sobre a saída do Facebook, ele disse que os administradores dos produtos de redes sociais devem “retomar o trabalho diário de direcioná-las para o que é positivo e para o bem. Essa é a nossa maior responsabilidade”.