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Repasse 'de conta em conta' sustentava suspeitos da Operação Recidiva

Uma rede de repasse financeiro a partir das prefeituras para empresas e terceiros era o que sustentava o esquema das pessoas suspeitas de envolvimento na investigação da Operação Recidiva. O trabalho apura uma organização criminosa responsável por fraudar licitações públicas em diversos municípios da Paraíba, desviando recursos públicos em favor próprio e de terceiros.
    Os crimes apurados pela operação são de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude a licitação, entre outros.
    O prosseguimento das investigações ocorreu na manhã desta terça-feira (30) pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU).
    Em entrevista coletiva, o delegado André Guedes Beltrão, da PF, afirmou que a empresa que vencia a licitação para a execução de obra repassava o serviço para uma empresa terceirizada que, na maioria das vezes, não executa o serviço de maneira satisfatória, deixando a obra sem execução completa e prejuízo para o erário.
    Além disso, o delegado contou que o dinheiro percorria um longo caminho após sair das prefeituras e que em cada conta em que ele passava o beneficiado ficava com uma parte da quantia.
    “Com conivência de servidores e engenheiros responsáveis pela medição esse dinheiro é pago para a empresa que ganhou (a licitação). A empresa que ganhou no mesmo dia (que recebe) fica com um percentual e (repassa) no dia seguinte. Por exemplo, (a empresa) recebeu R$ 100 mil e saca R$ 95 mil no mesmo dia ou às vezes faz na mesma hora uma transferência para a conta de uma empresa como foi o caso. Daqui a pouco ele recebe outra parte (do valor) dessa obra e transfere mais ‘tanto’ para essa empresa, que já vai para conta de outra pessoa até chegar ao beneficiário final e nessa rede cada um vai ficando com um pouquinho (do dinheiro)”, disse o delegado.