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Um palanque (de novo) em Monteiro

Protestar é legítimo.  Reclamar, igualmente. Espernear, não. O que o PT e outros partidos desse campo articulam para este sábado, em Monteiro, é um ato eminentemente partidário.
É parte da contraofensiva que tenta dar algum rumo à esquerda brasileira, ainda perdida pós-2018, e uma empreitada para sair da pauta única do Lula Livre, da qual é refém.
Tanto que o ato em Monteiro, supostamente para garantir a manutenção do bombeamento das águas para o Açude Boqueirão, integra um calendário de atividades, entre os quais se inclui o S.O.S Amazônia.
Particularmente, no caso da Paraíba, o protesto mais coerente seria gritar pela celeridade das obras do Eixo Norte, com entrada pelo Sertão, que se arrasta há anos e cuja nova previsão (mais uma!?) vai ao primeiro trimestre do próximo ano.
No Alto Sertão, culturas inteiras foram dizimadas e a recarga dos açudes foi sofrível. Não há um dado ou sinal de garantia hídrica para os próximos anos.
E pouco se diz sobre.  Não há uma iniciativa pujante que cobre pressa, um protesto digno do nome e à altura da necessidade.
Bem  ou mal, a água já chegou no Compartimento da Borborema e no Cariri.  Lá, a questão é de gestão, porque já existe canal e toda uma estrutura para garantir o abastecimento.
Da forma como a Transposição foi concebida, a gestão das águas é um grande desafio. Basta lembrar que em abril de 2018, Monteiro, símbolo da obra na Paraíba, ficou sem água.  Não é problema novo e, infelizmente, a solução vai demandar muita técnica e menos política.
Se esse debate em curso fosse técnico e verdadeiro, autoridades e especialistas deveriam se mobilizar para planejar o que fazer depois da chegada das águas.
Qual projeto de desenvolvimento agrícola e econômico existe da parte do Estado e do Governo Federal, em conjunto com prefeituras beneficiadas pela obra?
A resposta todos sabem: nenhum.
A  Paraíba e o Nordeste podem e devem pensar além e se preparar para isso. Reduzir o potencial da Transposição ao abastecimento humano é manter a lógica superada da indústria da seca. É pequeno, muito pequeno.
Transformá-la, de novo, em palanque extemporâneo é tristemente ainda menor.