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Com 5.017 mortes por Covid-19 em 42 dias, Brasil ultrapassa a China


O Ministério da Saúde confirmou esta terça-feira o registro de 5.017 óbitos por coronavírus. Com isso, o país passou a China no número de mortes pela Covid-19 – até agora, a nação asiática registrou 4.637 vítimas fatais, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças (UE).

De acordo com o balanço do ministério, o número de casos confirmados cresceu 8,1% nas últimas 24 horas, com 5.385 registros. Já a quantidade de óbitos subiu 10,4%, com 474 mortes notificadas de ontem para hoje.

A China confirmou o primeiro óbito pelo novo coronavírus no dia 11 de janeiro. Agora, foi ultrapassada pelo Brasil, que registrou oficialmente a primeira morte pela Covid-19 no dia 17 de março.
O dado mostra como o número de fatalidades no país está avançando significativamente mais rápido que na nação asiática, onde surgiu a nova doença.
Outra marca importante é que, na China, o número de casos e óbitos segue estável nas últimas semanas, um sinal de que o registro de coronavírus no país já tem a curva “achatada”, o que pode ser o primeiro passo para controlar a doença.
O Brasil, por sua vez, segue uma marcha acelerada de novos registros de infecções e mortes, com um índice crescente de diagnósticos, semelhante aos vistos nos EUA, Espanha e Itália, os três países com o maior número de casos confirmados até agora. Não há indícios de “achatamento” desta curva epidemiológica.
Mais de 3 milhões de casos de coronavírus já foram confirmados em todo o mundo, segundo a Universidade Johns Hopkins. Também foram registrados aproximadamente 215 mil óbitos.
Eliseu Alves Waldman, epidemiologista e especialista em saúde coletiva da USP, estima que o aumento médio da taxa de letalidade da Covid-19 no país seja de 6,5%. Esse índice tende a crescer para 8% a 10% na periferia das grandes cidades e em regiões onde o sistema de saúde já não consegue atender a todos os pacientes, como Manaus e Fortaleza.
— O número de pessoas circulando por bairros da elite e da classe média diminuiu radicalmente devido às campanhas de isolamento social. Mas o mesmo resultado não foi obtido entre os mais pobres, cujo modo de subsistência depende mais dos serviços — explica.
A diferente reação das classes sociais e de regiões do país à pandemia explicaria por que o Brasil está tendo mais dificuldades em conter o número de óbitos do que a China.
— Wuhan, o epicentro da epidemia, sofreu medidas mais restritivas, como o lockdown. Havia drones vigiando as ruas para denunciar quem violava a quarentena. Aqui, realizamos apenas medidas de isolamento social — compara Wadman. — Países como China, Alemanha e Portugal conseguiram limitar o avanço do coronavírus com um discurso homogêneo do poder público. Não vemos isso aqui ou nos Estados Unidos, onde cada estado investe em uma ação.
Coordenador o grupo de trabalho sobre Coronavírus da UFRJ, Roberto Medronho adverte que os danos chineses podem não ser “transparentes”, já que o regime político do país é autoritário, mas reconhece que o país soube tomar “medidas de efeito” contra a pandemia.
— A China é um caso à parte, porque declarou um lockdown (em Wuhan, epicentro da pandemia) que realmente surtiu efeito. A curva de óbitos achatou, houve um impacto muito grande na curva epidemiológica.
O Globo