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Com maternidade fechada há dois anos, Riacho dos Cavalos não dispõe de leitos hospitalares para internamento


Uma luz vermelha ascendeu na saúde pública de Riacho dos Cavalos, cidade situada na região de Catolé do Rocha, no sertão da Paraíba. Nesse período em que a ameaça do Coronavírus está batendo às portas dos municípios brasileiros, a cidade não dispõe de nenhum leito hospitalar para internamento de pessoas que sejam acometidas por quaisquer problemas de saúde, ou mesmo aqueles que por infelicidade vier contrair o COVID-19.
De acordo com informações repassadas pela oposição riachoense, que tem a frente às lideranças de Capuxim (ex-prefeito), Roberto Martins e Glênio Suassuna, estes dois empresários, já existia uma insatisfação da população pela falta de um hospital municipal, já que há mais de dois anos, o prefeito Joaquim Hugo (PP) fechou a Unidade Mista de Riacho dos Cavalos (a maternidade), que, aliás, era a única unidade hospitalar existente no município, e que dispunha de alguns leitos para internação, e após esta decisão tomada de forma unilateral pelo gestor, que na ocasião, alegou que iria iniciar uma reformar com o objetivo de melhorar as instalações prediais do imóvel, além da implantação de novos equipamentos hospitalares.
Passados mais de dois anos do fechamento da unidade mista, a então reforma prometida pelo prefeito, nunca saiu do croqui, e a população ficou apenas com o atendimento das Unidades Básicas de Saúde, que apesar de contar com dois bons médicos, Dr. Paulo e Dr. Ivaldo, não há condições de internações, diante da inexistência de leitos, sendo obrigado o encaminhamento destes pacientes aos hospitais, Regional e Infantil de Catolé do Rocha, cena que virou rotina na cidade de Riacho dos Cavalos.
Roberto teme o caos na saúde do município
“Diante da possibilidade do surgimento de pacientes no município de Riacho dos Cavalos, apresentando casos suspeitos de contaminação pelo Coronavírus, a pergunta que não se cala: ‘a onde vão ser internadas essas pessoas? Serão transferidas para Catolé do Rocha? E se em Catolé e demais cidades já tiverem com os seus leitos ocupados? É inadmissível uma cidade do porte de Riacho dos Cavalos, que já teve uma unidade mista de saúde, com disposição de leitos para internação, hoje passar por uma humilhação dessa natureza, motivado pelo total descaso do gestor, que ao invés de tomar a responsabilidade da saúde básica para si, prefere colocar os doentes em ambulâncias e mandar para outras cidades, jogando o problema nas costas dos outros”, disse Roberto Martins.
Ainda de acordo com Roberto Martins, outra preocupação que vem a tona nesse momento, é a necessidade da criação de uma barreira sanitária com serviço de triagem, para as pessoas de chegam em Riacho dos Cavalos, provenientes de outras cidades. “A prefeitura, através das secretarias municipais competentes, deveria instituir uma barreira sanitária na entrada da cidade, para receber as pessoas que chegam provenientes de outros centros, e estas pessoas seriam submetidas a um serviço de triagem, praxes já adotadas em inúmeros municípios sertanejos, como medidas de combate a disseminação e enfrentamento à pandemia decorrente do Coronavírus – COVID-19” completou Roberto. Indignado pela omissão do gestor, Roberto Martins cobrou mais: - Prefeito, não se esconda, não se cale, não se omita, faça a sua parte, pois esta, é o mínimo que o povo espera do senhor.
Falta de compromisso com os mais carentes, preocupa Capuxim
Já para o ex-prefeito Capuxim, o atual gestor, ao longo de sua administração, se omitiu das suas devidas responsabilidades para com o sistema de saúde do município, e a atitude insana de fechar a maternidade, jogando a responsabilidade de cuidar do povo, para outros municípios, foi mais um dos inúmeros descasos para com a saúde do povo riachoense.
“Vejo que os erros do atual prefeito cometidos ao longo de sua administração, principalmente na saúde e no social, estão afligindo o nosso povo, e poderão custar caro pra todos nós. Reporto-me também a falta de responsabilidade deste gestor, quando através de uma atitude insana, fechou a unidade mista de saúde, deixando o nosso povo, principalmente os mais pobres, órfãos de uma unidade hospitalar sem leitos, quando aqui tínhamos aproximadamente 15, e hoje não temos, mas nenhum” pontuou Capuxim.
Seguindo o exemplo de Roberto e Glênio, o ex-prefeito Capuxim também cobrou ações urgentes da gestão municipal, no momento, que, segundo ele, a população mais carente está à deriva. “O que será do povo agora, nesse momento de incertezas? Vamos seguir pedindo a Deus por todos nós, mas também não vamos jamais nos calar e nem deixar de cobrar daqueles que estão no poder, que apareçam e que venham cumprir com suas responsabilidades, principalmente com ações urgentes, objetivando ajudar o nosso povo, principalmente àqueles mais necessitados”, completou.

O Cego Suassuna cobra mais ação do gestor
Outro problema lembrado neste momento, mas que também já é costumaz no município, é o sumiço do gestor. De acordo com Glênio Suassuna (DEM), se já era difícil ter acesso ao prefeito, depois da publicação do Decreto de situação de emergência por pandemia do coronavírus, ficou cada vez mais difícil falar com o prefeito mesmo que seja por telefone, ou pelo aplicativo whatsapp, meio mais comum de interação popular nos dias de hoje.
“Em um município de aproximadamente 9.600 habitantes, composta em sua maioria por pessoas pobres, é de máxima importância o convívio do povo no cotidiano com o gestor municipal, seja em tempos bons ou ruins, pois aqueles que mais precisam, não podem ser abandonados. Neste momento é recomendável o isolamento social, mas também é preciso que, além disso, o prefeito tenha atitude de gestão, chamando a responsabilidade administrativa para si, tomando a frente das ações de políticas públicas, para ajudar a população carente, evitando um caos social”, disse o cego Suassuna.
Procurado pela nossa reportagem o prefeito não respondeu ao nosso contato. Continuamos no aguardo.
CATOLÉ NEWS | Por Humberto Vital