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Taxa de analfabetismo na PB foi a 2ª maior do país em 2019


A taxa de analfabetismo entre as pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2019, na Paraíba (16,1%), foi a 2ª maior do Brasil, de acordo com dados do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD C), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (15). O levantamento do último ano apresenta diversas informações, como frequência aos diferentes níveis de ensino, anos de estudo e escolaridade, com o objetivo de retratar a realidade do sistema educacional brasileiro.
A taxa paraibana, que em 2018 era a 4ª maior do país, em 2019 só foi menor do que a observada em Alagoas, de 17,1%, além de ter ficado quase 10 pontos percentuais acima da média brasileira (6,6%) e ter sido maior do que a observada na região Nordeste (13,9%). Na comparação com o início da série, em 2016, quando o indicador era de 16,3%, e com o registrado em 2018, de 16,1%, o percentual permaneceu estável.
No ano pesquisado, havia cerca de 508 mil pessoas analfabetas no estado, com uma taxa maior entre homens, de 19%, enquanto no grupo feminino essa proporção era de 13,5%. O mesmo cenário de diferença foi observado nacionalmente, mas em menor escala, com taxa de analfabetismo masculina de 6,9%, e de 6,3% entre as mulheres.
A pesquisa indicou ainda que a taxa de analfabetismo era maior entre pessoas pretas e pardas (18%), do que entre brancas (12,2%). A mesma disparidade foi observada na média nacional – com taxas de 8,9% para o primeiro grupo e de 3,6% para o segundo – e regional, com proporções de 15% e 10,4%, respectivamente.
A Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído em 2014, determinou a erradicação do analfabetismo no país até o fim da vigência do plano, em 2024, desafio a ser superado, tendo em vista as taxas mais elevadas no Nordeste e Norte e a tendência de estabilização no Centro-Sul.
Já na faixa-etária de 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo na Paraíba é ainda maior, de 38,3%, alcançando mais do que o dobro da média brasileira, de 18%, e um pouco acima da proporção Nordestina, de 37,2%. Apesar disso, embora o indicador tenha permanecido estável em relação a 2018 (37,8%), foi constatada queda frente a 2016, quando era de 42,2%.
Nesse grupo, o analfabetismo atinge 45,1% dos homens e 33,1% das mulheres, no estado. Além disso, entre as pessoas pardas, de 60 anos ou mais, é de 43,6%, ao passo que entre as brancas é de 28,1%.
Região Metropolitana de João Pessoa tem índices mais baixos
Na Região Metropolitana de João Pessoa, a taxa de analfabetismo, em 2019, foi de 8,9%, entre as pessoas de 15 anos ou mais, conforme a pesquisa. O indicador ficou abaixo da média da região e do estado, mas 2,3 pontos percentuais acima do indicador brasileiro. Essa proporção aponta para uma estimativa de 92 mil analfabetos na área. No grupo de 60 anos ou mais, a taxa sobe para 21,4%.
Entre as mulheres de 15 anos de idade ou mais, o indicador era de 8,4%, um ponto percentual abaixo do verificado para os homens, de 9,4%. Na faixa-etária de idosos, essas taxas são de 22,6% para o grupo feminino e de 20,5% para o masculino.
Mais de 50% da população da PB com 25 anos de idade ou mais não concluiu o ensino fundamental
Mais da metade da população paraibana com 25 anos ou mais de idade não tinha instrução ou contava apenas com o nível fundamental incompleto, em 2019, segundo a PNAD Contínua. A estimativa, 53,2%, aponta que há 1,3 milhão de pessoas com esse nível de instrução, no estado (em 2016, a taxa era de 55,4%). O percentual, em 2019, está bem acima do observado na média do Brasil, de 38,7%, e é maior do que a média nordestina, de 49,1%.
Outros 9,5% eram formados por pessoas que tinham o fundamental completo e ensino médio incompleto; 24,0% por aquelas com nível médio completo e superior incompleto; e 13,3% haviam concluído o ensino superior (em 2016, essa taxa era de 11,4%). A análise é feita com base na faixa etária de 25 anos ou mais, por envolver as pessoas que já poderiam ter concluído o processo regular de escolarização.
O total de pessoas que não tinha instrução ou não concluíram o ensino fundamental era maior entre homens (57,2%), do que entre mulheres (49,8%), assim como entre pretos e pardos (56,2%), do que entre brancos (47,4%). No entanto, ao analisar a conclusão do ensino superior, a situação é invertida: o percentual é mais forte no grupo feminino (15,9%), do que no masculino (10,3%), bem como é mais expressivo entre pessoas brancas (18,8%), do que entre pretas e pardas (10,7%).
Taxa de escolarização cai entre 2016 e 2019, ficando estável entre 2018 e 2019
Em 2019, a taxa de escolarização na Paraíba, ou seja, a proporção de estudantes de determinada faixa etária em relação ao total de pessoas daquele grupo, era de 28,4%, apresentando estabilidade em relação à 2018 e queda em relação à 2016 (29,8%).
Frente aos resultados de 2016, a escolarização aumentou até o grupo de para todas as faixas até o grupo de 4 e 5 anos, apresentou estabilidade estatística para a faixa de 6 a 14 anos, bem como redução para as faixas seguintes.
Apesar disso, houve aumento na taxa entre homens de 6 a 14 anos, posto que o indicador passou de 98,8%, em 2018, para 99,9%, em 2019, o que mostra que a escolarização abarcou quase toda essa população. Nessa mesma faixa etária, porém no grupo de pessoas brancas, também houve alta e o percentual passou de 99,5%, no início da série, para 99,9%, no último ano. Outro crescimento da taxa foi registrado entre meninas de 4 e 5 anos, classe em que a proporção aumentou de 91,1%, em 2016, para 97,3%, no último ano.
Média de anos de estudo cresce entre 2016 e 2019
A média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade, no Brasil, em 2019, foi 9,4 anos. De 2016 a 2018, essa média cresceu 0,2 por ano, com crescimento de 0,1 ano entre 2018 e 2019.
Em termos regionais, Sudeste, Sul e Centro-Oeste mantiveram-se com uma média de anos de estudo acima da nacional – respectivamente, de 10,1, 9,7 e 9,8 anos – ao passo que as Regiões Nordeste e Norte ficaram abaixo da média do País, com 8,1 anos e 8,9 anos, respectivamente. Além disso, todas as regiões tiveram um aumento entre 2018 e 2019, que variou entre 0,1 e 0,2 ano de estudo.
Na Paraíba, a média de anos de estudo cresceu entre 2016 (7,4 anos) e 2018 (7,7 anos), tendo ficado estatisticamente estável em 2019 (7,8 anos).
Frequência na etapa adequada para a idade
Cerca de 96,4% dos estudantes de 6 a 10 anos de idade estavam frequentando a etapa idealmente estabelecida, em 2019, segundo a taxa ajustada de frequência escolar líquida, calculada no módulo Educação da PNAD Contínua. O percentual ficou acima das médias nacional e do Nordeste, ambas de 95,8%.
Na faixa-etária de 11 a 14 anos, tendo em vista aqueles que estavam no final do ensino fundamental, a proporção cai um pouco no estado (85,2%), e fica abaixo do resultado brasileiro (87,5%), mas é maior do que o da região Nordeste (84,3%).
Já no grupo de 15 a 17 anos, a taxa dos alunos que estavam frequentando o ensino médio, fase idealmente estabelecida para a faixa etária, foi a 2ª menor do país, de 56,3%, maior somente do que a registrada em Sergipe (48%), e menor do que as médias do país, de 71,4%, e do Nordeste, de 63,3%. Nacionalmente, a Meta 3 do PNE estabelece que a taxa de frequência escolar líquida no ensino médio deve ser elevada para 85,0% até o final da vigência do Plano, em 2024.
Na classificação de 18 a 24 anos, a proporção dos que estavam no ensino superior foi de 22,5% no estado, indicador que ficou acima da média nordestina, de 19,5%, mas abaixo da média do Brasil, de 25,5%.
Rede pública concentra 85% dos estudantes do ensino médio na PB; rede privada tem maioria no nível superior
A rede pública concentrou 85% dos estudantes do ensino médio na Paraíba, em 2019, o que representa cerca de 138 mil pessoas, de acordo com a PNAD Contínua. No cenário nacional, essa proporção foi de 87,4% e, regionalmente, foi de 90,8%.
Até esse nível, a maioria dos estudantes paraibanos integrava o sistema educacional público, desde a creche e pré-escola (66,3%), com aproximadamente 110 mil crianças; passando pelo ensino fundamental (77,6%), com 456 mil alunos; até o médio. A mesma dinâmica é observada nacionalmente e regionalmente.
No nível, superior, porém, há uma predominância do ensino privado, com 51,8% dos estudantes fazendo parte desse sistema, o que representa cerca de 76 mil pessoas. Já no caso das especializações, mestrado e doutorado, o percentual é ainda maior, de 66,3%, com 19 mil alunos.
Além disso, o módulo Educação revela que, entre as pessoas de 15 a 29 anos de idade, 10,5% (97 mil pessoas) trabalhavam e frequentavam escola, cursos pré-vestibular, técnico de nível médio, normal (magistério) ou qualificação profissional. Essa proporção é maior entre pessoas brancas (11,3%), do que pretas e pardas (10,1%), assim como entre homens (11,5%), do que entre mulheres (9,5%).
Outros 27,9% só trabalhavam e 33,7% apenas estudavam. Há ainda um grupo formado por 256 mil pessoas, representando também 27,9% da faixa etária, que não estavam ocupadas, nem estudavam, no período pesquisado.